terça-feira, 11 de setembro de 2012

Caminhos Antigos XIV


Portugueses e Espanhois no Novo Mundo:resistência na Serra do Mar

Serra do mar, Bertioga, Mogi das Cruzes

Para quem olha no sentido litoral – planalto, a Serra do Mar parece uma verdadeira muralha, só permitindo ultrapassá-la através de gargantas por onde passaram os primeiros colonizadores seguindo as trilhas indígenas.
Esta característica topográfica da Serra do Mar é apontada por Dinah Silveira de Queiroz (autora do romance A Muralha), ao retratar, através da personagem Cristina (na minisérie da TV nome da personagem Beatriz) - recém chegada de Portugal no início da colonização do Brasil - a dificuldade de se locomover de São Vicente aos Campos de Piratininga (São Paulo). A paisagem assim descrita, compõem-se de um “... desfile tenebroso de montanhas, que se encostavam erectas umas às outras, numa procissão de guardas gigantescos...” configurando uma “enorme muralha verde-escuro barrando o horizonte ... mais alto do que passarinho pode voar!” (Queiroz, 2000 :20).
Mesmo com essa defesa natural, alguns caminhos de acesso litoral-planalto preocupavam as autoridades portuguesas no sentido de ataques ao litoral, por exemplo Bertioga ou Santos, e em seguida à cidade de São Paulo.
Em branco o contorno da serra do mar
É assim que, a 10 de março de 1777, uma segunda feira, após enchentes que destruíram na semana anterior, os caminhos e pontes dos arredores da vila de Mogi das Cruzes, chegava o aviso endereçado ao capitão mor, dando conta que a armada espanhola atacava a ilha de Santa Catarina e que poderia se dirigir e desembarcar na cidade de Santos.
As disputas entre Portugal e Espanha já ocorriam há algum tempo. Através do século XVIII, as fronteiras do território brasileiro foram objeto de constante discussão entre Espanha e Portugal. Possuidoras de territórios coloniais que outrora haviam sido demarcados e divididos pelo Tratado de Tordesilhas em 1494, passados dois seculos e meio, novas demarcações coloniais se impunham em função de andanças pelo sertão, descoberta de minerais preciosos, estabelecimento de rotas, fundação e fixação do povoamento.
Sucintamente, as questões de limites entre as colônias de Portugal e Espanha, que impunham discussões, foram abordadas nos seguintes tratados: Tratado de Lisboa (1681), Tratado de Utrecht (1715), Tratado de Madri (1750) que redefiniu efetivamente as fronteiras entre as Américas Portuguesa e Espanhola, anulando o estabelecido no Tratado de Tordesilhas e o Tratado de Santo Ildefonso (1777) que confirmou o Tratado de Madri e devolveu a Portugal a ilha de Santa Catarina.
Desde pelo menos o início do século XVIII com as descobertas auríferas em Minas Gerais e logo a seguir as minas de Cuiaba e Goias, foram os agentes da colonização, tais como, bandeirantes, missionários, comerciantes, aventureiros, funcionários ligados a Coroa, povoadores, que penetraram o território ocupando terras e provocando uma nova realidade de ocupação territorial.
Elaborado e enviado em 1749 para Madri, o Mapa dos Confins do Brazil com as terras da Coroa de Espanha na America Meridional ou Mapa das Cortes, estabelecia e ampliava os novos limites territoriais do Brasil e serviu para o acordo diplomático assinado em 1750, quando os limites foram alterados pelo Tratado de Madri, que em seu paragrafo III dizia : “pertencerá à Coroa de Portugal tudo o que tem ocupado pelo rio das Amazonas, ... como também tudo o que tem ocupado no distrito de Mato Grosso, e dele para parte do oriente, e Brasil...”
Mapa da Cortes:redefinição de territórios
Estabelecidas as fronteiras, a ocupação fazendo frente ao território espanhol continuava, dificuldades de demarcação ao norte, conflitos envolvendo a Companhia de Jesus (jesuitas), Espanhóis e Portugueses ao sul do território brasileiro, levou a anulação do Tratado de Madri em 1761.
As expedições,oficiais ou não, saiam em direção ao sertão para conhecimento, ocupação e povoamento, o que exigia o recrutamento de homens nas vilas e em 1767, vinte e quatro homens da vila de Mogi eram escolhidos para fazer parte da primeira expedição em direção aos rios Ivai e Tibagi, nos sertões do atual Paraná. Ao todo foram onze campanhas para o sertão entre 1768-1774, com mortes e deserções.
As diferenças entre Portugal e Espanha continuavam e nova tentativa era feita com a proposta inicial da Espanha em julho de 1775 para definir de vez a fronteira das colonias na América do Sul. As negociações eram tensas, ora com avanços, ora com recuos e entravamos no ano de 1777 quando uma carta chega a vila de Mogi das Cruzes, após o emissário enfrentar as dificuldades dos caminhos inundados: ”Como a armada espanhola se acha atacando a Ilha de Santa Catarina, se acaso não estiver já senhora dela, e ser provável que o inimigo venha a esta capitania e especialmente desembarcar em Santos: para evitarmos que possam penetrar para dentro da capitania, devemos fazer toda a resistência no cume da Serra de ambos os cubatões, indo a eles todos os auxiliares e ordenanças que tenham armas e possam pegar nelas; e como é preciso ali sustentá-los, assim como tenho mandado fazer provimento de farinha e feijão no cubatão de Santos, se faz indispensável fazer-se o mesmo no dessa Vila, pelo que ordeno que compre toda farinha e feijão mandando conduzir para o dito lugar, em alguma casa que exista ou fazer um rancho para acondiciona-la e defender do temporal. E por vossa merce de acordo a esse Povo, para que a primeira ordem acuda todo a referida Serra, onde cada um ao modo, com que os honrados Paulistas tem por tantas vezes dado nos Espanhois, o façam agora...na certeza de que tudo o que apanharem aos inimigos, será para eles...”
Tracado original Mogi-Santos realçado
As cartas seguintes, com intervalo de dois ou três dias, insistem na urgência de construir no alto da Serra do Mar, ranchos “de paos à pique fechado para neles se meter a farinha e feijão que for possível” levando todas as pessoas possíveis sem exceção alguma, nem privilégio, porque em tais ocasiões “nem os Eclesiásticos os tem.”. Em abril reportava que o “Cubatão de Mogy está acabado.”
Nas cartas dirigidas a Mogi que antecederam este episódio é grande a menção e procura de desertores, sendo que a incorporação forçada para expedições militares causava a fuga “para o mato” e talvez explique o recurso usado ao chamar os  “honrados paulistas” ou referir-se a “antigos paulistas destruindo inimigos”, procurando assim, com a invocação da memória de um passado paulista, não mais existente, onde figurava idealizado, o brio, a honra, a coragem e, a partir de uma situação específica, passava-se a construir e sedimentar o apelo à união. A realidade era bem diferente, pois, não eram poucas as vezes, ou casos como o de Luiz Mendes, que talvez ilustre uma situação que não era única, antes, bastante comum em Mogi e outras regiões da capitania: ”vamos a prisão de Luiz Mendes e dos Desertores que o acompanham na vida que levam pelos matos, rebeldes ao Serviço, as Leis, e à Sociedade Humana... convoque ordenanças bastante e auxiliares... e resistindo eles, poderá a mesma tropa segurar lhes com tiros, para virem vivos receber as penas que merecem.”, ou para o juiz ordinário de Mogi “visto os levantados desertores e criminosos terem se aquilombado nesses matos com armas e resolução de resistir... se não quiserem se render se lhes atirem pelas pernas.”. O mesmo juiz ordinário da vila de Mogy das Cruzes recebia novamente ofício com a ordem de prender Luiz Mendes e seguidores, não só por ter tentado atirar duas vezes no capitão do mato que o perseguia mas por ter dito do governador da capitania que gostaria de pegar-lhe a “Cabeça para fazer de Cuia..”, recomendava-se prender os insolentes que infestam esses matos, segurando-se, se resistirem com tiros pelas pernas “porque desejo apanhá-los vivos”, dizia o governador.
Estes habitantes, rebeldes aos ditos reais impostos por Portugal à colônia, incompreendidos em seus quereres e falares (pois muitos, se não todos, sequer falavam a língua portuguesa, mas a Língua Geral, o Nheengatu dos Tupi e de Anchieta), terminaram por fornecer o toque final à composição étnica e cultural do Paulista, o mameluco descendente de índios e portugueses, o antigo Bandeirante, que agora vai se confinando nas matas, vai se "aquilombando", rompendo as ligações com a metrópole e criando suas próprias, mais individualizadas, mais estreitas. Reproduzem a antiga grande família nuclear tupi, com a troca de serviços e obrigações, o mutirão, o compadrio e o cunhadismo, presentes ainda hoje no que se reconhece como bairro, o espaço social por excelência, e depois, muito depois, espaço territorial.
Quanto à questão do abastecimento (farinha e feijão), o episódio gerou uma intensa troca de correspondência entre as capitanias de Minas, São Paulo, e os capitães das vilas no caminho Serra da Mantiqueira – São Paulo, para montar uma rede de transporte para o abastecimento das tropas, devendo os alqueires de farinha serem transportados pelo menos até a vila de Mogi, e daí para São Paulo, como dizia o governador da capitania: ”donde farei transportar em algumas bestas que puder conseguir, e as costas de Índios e escravos.” ou “por rio em canoas.”
Em 1º de outubro de 1777 foi assinado o tratado de Santo Ildefonso, entre Portugal e Espanha, para encerrar a disputa entre ambos. A Espanha coube territórios que hoje fazem parte do Rio Grande do Sul e Uruguai e Portugal teve devolvida a ilha de Santa Catarina que fora ocupada poucos meses antes como vimos.


Alqueire/litro
O alqueire era uma antiga medida de capacidade usado para cereais, mas de volume variável. Na região de Lisboa equivalia a 13,8 litros, no Brasil valia 12,5 litros. Também era a medida de um saco: seis alqueires faziam um saco = 75 litros = 75 quilos

Definições de cubatão
Pequena elevação na base de uma cadeia de montanhas
Habitação rústica tipicamente africana, geralmente de telhado cónico coberto de folhas ou palha, o mesmo que choça.
Do africano kubata = rancho, mais o aumentativo ão = rancho grande

Para saber mais
FERREIRA, Mário Clemente. O Mapa das Cortes e o Tratado de Madrid: a cartografia a serviço da diplomacia. Varia hist., Belo Horizonte, v. 23, n. 37, June 2007. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php? Acesso Junho 2012.
HOLANDA, Sergio Buarque de (org.). História Geral da Civilização Brasileira. A época colonial,  volume I, São Paulo: Difel,1972.
QUEIROZ, Dinah Silveira de. A Muralha. São Paulo: Record, 2000.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Caminhos Antigos XIII



A interrupção da ligação de Santos à Mogi para proteger a riqueza das Geraes

Os caminhos do sertão que foram percorridos durante o século XVII, vão ao final deste mesmo século provocar uma grande mudança na vida da colônia.
Por volta de 1694 – 1696, na região que ficará conhecida por Minas Gerais, a descoberta de ouro provocou efeitos que se fizeram sentir na vida da colônia como também fora dela.
A partir da descoberta houve um êxodo populacional de várias regiões da colônia em direção às minas, surgiram mercados de abastecimento que deram um novo sentido à economia colonial, novos caminhos de penetração para o interior foram trilhados, aumento geral nos preços de variada mercadoria nas áreas auríferas, assim como o ouro das minas foi necessário para o desenvolvimento da Revolução Industrial na Inglaterra no século XVIII.
Contava a vila de Mogi exatamente com cem anos quando foi publicado no ano de 1711 em Portugal o livro, Cultura e Opulência do Brasil, composto de seis grandes capítulos que se referiam a: açúcar, minas de ouro, tabaco, gado, e descrevia os dois caminhos de entrada para as Minas Gerais onde se encontravam as minas de ouro. Tão logo publicada, em 1711, todos os volumes impressos de Cultura e Opulência do Brasil foram, por razões de Estado, confiscados e destruídos por ordem do rei de Portugal, D. João V ao Presidente do Conselho Ultramarino, Duque de Cadavel, por ordem de 20.03.1711, pois, principalmente a parte do livro tocante ao caminho para as minas revelava o itinerário a ser seguido, as potencialidades da região de mineração, constituindo-se em verdadeiro guia para empreender viagem para aqueles que iriam tentar a sorte nas minas gerais e não eram poucos.
Desde os anos iniciais da descoberta, a noticia se espalhou como rastilho de pólvora provocando uma “febre do ouro” que levou milhares de pessoas para a região, como descreveu André João Antonil em Cultura e Opulência do Brasil:” A sede insaciável do ouro estimulou a tantos a deixarem suas terras e a meterem-se por caminhos tão ásperos como são os das minas, que dificultosamente se poderá dar conta do número de pessoas que atualmente lá estão... dizem que mais de trinta mil almas se ocupam, umas em catar, outras em mandar catar nos ribeiros de ouro, e outras em negociar. Cada ano, vem nas frotas quantidade de portugueses e de estrangeiros, para passarem as minas. Das cidades, vilas, recôncavos e sertões do Brasil, vão brancos, pardos, e pretos, e muitos índios, de que os paulistas se servem. A mistura é de toda a condição de pessoas:homens e mulheres, moços e velhos, pobres e ricos, nobres e plebeus, seculares e clérigos, e religiosos de diversos institutos, muitos dos quais não tem no Brasil convento nem casa.”
Os roteiros para as minas eram variados, um deles partia da Bahia, um “caminho novo” e um “caminho velho” partindo do Rio de Janeiro e um “Roteiro do caminho da vila de São Paulo para as minas gerais e para o rio das Velhas”.Neste ultimo caminho segundo Antonil o tempo gasto desde a vila de São Paulo até a região das minas era de aproximadamente dois meses, “marchando à paulista”
Marchar à paulista significava a maneira como os paulistas desenvolveram suas andanças pelo sertão no século XVII (inclusive habitantes de Mogi das Cruzes) influenciados pela experiência indígena, sendo como os mapas sertanistas mostram, as distancias entre dois pontos marcada pelos dias de viagem e o ritmo da marcha compreendia o horário da madrugada até o meio-dia, no máximo até 13 ou 14 horas para terem tempo de descansar, “de buscar alguma caça ou peixe e mel de pau”, o mel do sertão das abelhas indígenas como a jataí ou outro mantimento qualquer.
Saindo da vila de São Paulo a primeira parada era em Nossa Senhora da Penha a duas léguas (13Km), a próxima parada era a aldeia de Itaquaquecetuba gastando um dia, de Itaquaquecetuba até a vila de Mogi, dois dias; de Mogi vão até as Laranjeiras em mais quatro ou cinco dias; depois até Jacareí mais um dia; de Jacareí até Taubaté dois dias, de Taubaté a Pindamonhangaba um dia e meio; de Pindamonhangaba até Guaratinguetá cinco ou seis dias. De Guaratinguetá caminhavam até o pé da serra quando empreendiam a difícil subida da Serra da Mantiqueira, (onde diziam que todo aquele que passou pela serra, aí deixou dependurada ou sepultada a consciência), para ganhar finalmente o trecho final do caminho na serra de Itatiaia, onde havia duas direções a seguir:uma ia dar nas minas do ribeirão de Nossa Senhora do Carmo e do Ouro Preto em seis dias de marcha e o outro para as minas do rio das Velhas, também em seis dias de viagem.
Na região das minas a carestia era geral e a moeda corrente a oitava de ouro (3,586 gramas) e para o ano de 1703 Antonil apresentava uma lista onde um boi valia oitenta oitavas; sessenta espigas de milho, trinta oitavas; seis bolos de farinha de milho, três oitavas; paio, três oitavas; galinha, três ou quatro oitavas; queijo da terra, três ou quatro oitavas; espingarda, dezesseis oitavas; pistola, dez oitavas; faca seis oitavas; canivete e tesoura, duas oitavas; escravo, trezentas a seiscentas oitavas.
Essa efervescência econômica no início do século dezoito, certamento produzia efeitos em Mogi e região com o possível deslocamento de moradores para a zona aurífera, assim como o contingente nada desprezível de pessoas que por aqui passavam, segundo o roteiro publicado por Antonil.
Outro efeito da descoberta das minas foi de ordem administrativa com a criação em 1709 da capitania de São Paulo e Minas de Ouro e em 1720 da Capitania de Minas Gerais, a elaboração de uma série de leis específicas, uma reordenação jurídica, criação de legislação tributária, defesa e fortificação de vários pontos da colonia para impedir possíveis invasões estrangeiras como era o caso da fortaleza da Bertioga, reformada com pedra e argamassa em 1724 (ver Caminhos Antigos IV) e o fechamento de caminhos do litoral para o planalto como é o caso das rotas de Santos para Mogi em 1722.
A região que hoje conhecemos por Taiaçupeba, outrora Campo Grande, possivelmente era habitada desde a segunda década do século XVIII, tendo atribuição de terras em 1723 “na vila de Santa Anna das Cruzes de Mogy... no caminho que vai da dita vila para a de Santos, na paragem chamada Tijuco Preto.” (Grinberg,1961:32). Este caminho de Mogi a Santos era uma das veredas fechadas por ordem real com o objetivo de evitar invasões estrangeiras.
Estabelecia a “Carta regia sobre a tapagem de caminhos para impedir invasões estrangeiras em S.Paulo e expulsão de estrangeiros e frades” o fechamento de três caminhos da Vila de Mogi para a de Santos (mapa) e consequentemente mandava que os moradores de Mogi usassem para ir a Santos o caminho de São Paulo ou de Taubaté e vilas vizinhas com ligação ao litoral e daí a Santos.
Ao fechar os caminhos de Santos que subiam a Serra do Mar e daí para a vila de Mogi das Cruzes, objetivava-se além de dificultar possíveis invasões de países rivais de Portugal, criar obstáculos para estrangeiros e religiosos, que desembarcando das frotas portuguesas, se dirigiam para as minas como já havia apontado Antonil.

Para saber mais
Carta Régia – Documentos Interessantes para a história e costumes de São Paulo, vol.18, p.51
ANTONIL, André João. Cultura e Opulência do Brasil,S.P. Cia. Editora Nacional, 1966.Introdução A.P.Canabrava
HOLANDA,Sergio Buarque. Caminhos e Fronteiras, R.J.José Olympio, 1975
imagens: Biblioteca Ncional 


Rio das Velhas/mineração
A bacia hidrográfica do Rio das Velhas compreende desde sua nascente no município de Ouro Preto passando por Sabará, Santa Luzia e Belo Horizonte.
A mineração feita nos rios foi predominante, chamada de mineração de aluvião, feita nas areias e cascalhos dos rios, empregava mão de obra escrava

Conversão oitava de ouro/grama
Para efeito de ilustração e sem procurar total exatidão temos que a oitava de ouro é igual a 3,5 gramas e hoje a grama de ouro vale $103 reais.
A lista de produtos comercializados nas minas é extensa e pode ser encontrada na obra completa de Antonil, disponível no site Domínio Público.

O livro de Antonil
Foi publicado no ano de 1711, em Portugal o livro do jesuíta João Antônio Andreoni (Lucca, Toscana, 8 de fevereiro de 1649 - Salvador, 13 março de 1716): Cultura e Opulência do Brasil, sob o pseudônimo de André João Antonil (neste artigo se utiliza Antonil como referência) com a descrição dos dois caminhos de entrada para as Minas Gerais onde se encontravam as minas de ouro.
Antonil foi uma figura ímpar na colônia. Observador atento, escreveu com profundidade e erudição sobre a realidade econômica da Colônia, notadamente a produção de açúcar, de tabaco, sobre a criação de gado e a mineração. Além de apresentar dados sobre a produção, descreveu ainda as técnicas produtivas então utilizadas, comentando as condições de trabalho e condições sociais e políticas vividas pela colônia.
Visando proteger o comércio internacional de Portugal (fumo e açúcar) e também resguardar a colônia contra possíveis invasões inimigas, facilitadas pela exatidão do roteiro fornecido na publicação, o livro teve sua primeira edição destruída em Portugal.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Caminhos Antigos XII




Trilhos urbanos:através dos espaços da cidade



 A cidade é uma experiência visual, como nesta vista aérea de Mogi das Cruzes, do final da década de 1930, que nos dá uma ideia do traçado urbano, seus trilhos que formaram trilhas, que se transformaram em ruas ladeadas por construções , o ir e vir de pessoas, que ocupam as praças, local das igrejas e edifícios públicos, festas, encontros e divertimentos como o circo.
Mario de Andrade já havia se acostumado a reconhecer nos arredores da cidade de São Paulo, que o passado de nossa cultura estava vivo e se manifestava principalmente nas danças e festas caboclas. A pauliceia desvairada havia ficado para trás quando desceu do trem na estação de Mogi das Cruzes no sábado, 30 de maio de 1936, ao meio dia.
A equipe do Departamento de Cultura da cidade de São Paulo se preparava para filmar os festejos do Divino no Largo Bom Jesus, presentes além de Mario de Andrade, o antropólogo francês Claude Levi-Strauss, que fazia parte da missão francesa que viera fundar a Universidade de São Paulo e sua esposa, Dina Strauss que analisava e via nas danças da festa a formação de companhias de atores, representando cada um determinado papel. E não estava longe da verdade, pois, era exatamente isso que aquelas pessoas faziam na congada, cavalhada ou moçambique, ao viver intensamente a festa.
Ao lado destes personagens transitórios que passavam por Mogi e se encantavam com a festa, outros, da própria cidade tinham seu dia a dia alterado como seu Antenor de Souza Mello que fechava seu armazém na esquina do Largo por conta da cavalhada.
No Largo, os cavaleiros dão início a cavalhada, dividem-se em dois grupos representando mouros e cristãos, entram em disputas, cai um dos cavalos com o cavaleiro. Ele não volta ao torneio: é ajudado por dois homens, um deles com algumas lanças na mão. Continuam os movimentos dos cavaleiros a galope. Um dos cavaleiros dá uma súbita volta com o cavalo, indo parar em cima da multidão. Veste roupa escura e desapeia. À direita, alguns tiros (de festim) são dados por cavaleiros vestidos de branco, junto à assistência. Os cavaleiros, em movimento, batem armas.
Como pano de fundo destas representações festivas, a paisagem de um passado ainda vivo: um casario colonial, mostrando a origem portuguesa desta festa.
Sempre atento, Mário de Andrade não via apenas esses indícios coloniais, mas também o avanço irreversível da modernidade, presente na cidade em transformação.
Processo semelhante ocorre na educação pública, onde a “escola”, que antes funcionava na casa dos professores, agora irá constituir-se no espaço arquitetônico dos grupos escolares, instalados em prédios com uma identidade voltada para a educação, funcionando o novo prédio escolar em 1914 (Coronel Almeida), com uma arquitetura monumental com a intenção de sinalizar e simbolizar as finalidades sociais, morais e cívicas da educação pública, assim como as realizações dos governos republicanos no Estado de São Paulo.


                    desenho de criança do II grupo escolar representando a sala de aula e a cidade em 1937
 
Ato contínuo o segundo grupo escolar funcionou a partir no início dos anos 30 no Largo Bom Jesus e o aluno Nelson de Souza Mello assim o descreve em atividade escolar de 1933: “O prédio escolar – O 2º Grupo Escolar desta cidade está construído dentro de uma área de terreno de forma retangular, no Largo Bom Jesus.Tem a frente, a entrada principal a leste ou nascente, no Largo Bom Jesus e a outra entrada, o portão de recreio, ao norte para a rua Ricardo Vilela. O recreio fica para o lado do poente ou oeste e dá para terrenos particulares.1933”
Fora do perímetro urbano, já na area rural, havia grupo escolar especificamente construído para funcionar como escola no Núcleo Colonial de Sabaúna com funcionamento a partir de 1906 e Cocuera no ano de 1936 em prédio cedido pela Sociedade Japonesa.



 O símbolo moderno representado pelo automóvel e as agencias Ford e Chevrolet instaladas no município, nas novas ruas, largas e apropriadas para o transito de automóveis que chegavam de São Paulo pela Avenida Vol. Fernando Pinheiro Franco, com suas bombas de gasolina e ganhavam a direção do Vale do Paraíba por duas grandes retas ladeando pelo esquerda a linha ferrea e pelo lado direito a estrada tortuosa mais antiga do Rio Acima.
Bairros novos surgiam, desde a segunda década do século XX como atividade imobiliária, a “nova” Avenida levando para a Vila Santista, na rua Santana de vias planejadas com “largura de dezesseis metros tendo...instalações de luz elétrica e telefone”.
Nos jornais eram anunciados novos remédios sintetizados em laboratórios, como a aspirina da Bayer, junto dos tradicionais xaropes de receitas caseiras do século XIX e os espaços da cidade agora contavam com locais onde médicos atendiam em clínicas apropriadas, como o hospital particular do Dr. Deodato no Largo Bom Jesus (no início de 30) e o laboratório de análises clínicas com profissionais especializados vindos da Capital.
A revolução de 1932 que incorporou na política elementos emocionais através de imagens e símbolos deixou como herança os festejos de aniversário da cidade em primeiro de setembro e como um marco físico, o obelisco que remetia a fundação da cidade, fixado na praça central.
É desta cidade de feições coloniais, de mudanças e permanências da primeira metade do século passado, que nos conta Dona Bela Fernandes de Miranda, nascida em 1923, oitenta e nove anos.
Nasceu e morou em frente ao largo Bom Jesus até os sete anos de idade e se lembra da clinica do Dr Deodato e do armazém do seu Antenor, situados no Largo. O antigo armazém, frequentado pelas crianças que procuravam os doces caseiros de abóbora, batata doce e cocada dispostos em prateleiras próprias e os refrescos de groselha e capilé, este último de receita portuguesa, que constava do manual “O Cozinheiro Moderno” de 1780 e bastante popular no Brasil até meados do século XX.
Nos anos 30 Dona Bela se mudou para uma casa ao lado do Largo da Matriz, onde viveu o tempo da revolução de 1932, com os soldados ocupando as dependências do grupo escolar onde estudava. Passada a revolução e o medos de um tempo turbulento e de incertezas para os paulistas, o cotidiano voltava ao normal na cidade com as idas para a escola e na volta, já em casa, retirava os sapatos, artigo raro que não podia estragar.
Depois da escola as brincadeiras de peteca e pular corda aconteciam na praça da Matriz onde em 1935 foi inaugurado o obelisco comemorativo do aniversário da cidade, que aos olhos de uma criança chamava a atenção: “Ninguém podia por a mão no obelisco, parecia um coisa sagrada, uma coisa diferente, havia um respeito ...”
De 1935 em diante o aniversário de Mogi era incorporado aos eventos que aconteciam em praças e largos da cidade sendo os mais comuns pelas festas, a Matriz, o Bom Jesus, Carmo e Nossa Senhora do Socorro, esses os vazios urbanos que recebiam as agitações das atividades concentradas num mesmo espaço como quermesses, danças e o circo, que nas lembranças de Dona Bela o que mais lhe despertava interesse era a presença dos animais.
Das festas, a imagem mais marcante é a do Divino. Festeira quando adulta, não consegue evitar um misto de alegria e saudade ao recordar, da infância e juventude, a imagem das ruas decoradas na Entrada dos Palmitos quando tudo “era palmito de verdade, não era palmeirinha” e do tortinho que não havia na festa e foi receita trazida de Caçapava, num autentico exemplo de trocas culturais.
A partir de 1943, formada professora as aulas passaram a fazer parte de seu dia a dia e os caminhos da cidade a levaram até o distrito de Sabaúna, onde chegava de trem, ministrava as aulas e voltava de ônibus. Caminhos da cidade que também, nos momentos de lazer, levavam às romarias e picnik na gruta Santa Terezinha todo primeiro de Maio ou nos cinemas que eram muitos, espalhados pelas ruas da cidade.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Capela de São Sebastião em Taiaçupeba

Alguns detalhes da Capela de São Sebastião, situada no Bairro homônimo, também conhecido como Debruado, Debroado ou mesmo, no linguajar nativo como Desbroado, distrito de Taiaçupeba, Mogi das Cruzes, SP. Com as obras iniciadas em 1905 e terminada em 1915, esta Igreja, preserva em seu formato original toda a criatividade do pintor José Benedicto da Cruz.


Vista do Forro do Altor Mor























Vista frontal do Altor Mor

















Altor Mor, centro superior esquerdo


Arco divisório entre o Altar Mor e área central da capela

























Veja a documentação iconográfica deste monumento em Capela de São Sebastião.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Caminhos Antigos XI

As cavalhadas a beira da Estrada Imperial, a Santa Cruz e outros patrimônios

A série Caminhos Antigos traz uma entrevista que força-nos a olhar o patrimônio humano, por vezes chamado de patrimônio histórico, arquitetônico ou outro nome e que estamos perdendo.
Ao longo de uma conversa realizada a tarde, Dona Luiza revelou muitas coisas de sua história, mas principalmente lembra do trabalho na terra , da venda dos produtos cultivados, devoções, enterros, brincadeiras, em suma do saber e saber fazer do povo.
É importante lembrar neste momento em que muito se discute o patrimônio histórico na cidade, o primeiro projeto inovador de defesa do patrimônio, elaborado por Mário de Andrade em 1936, o Serviço do Patrimônio Artístico Nacional. Infelizmente este projeto não foi seguido como deveria e somente nos dias hoje, como afirmou a revista Ciência e Cultura (2006) da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, “se vem retomando o projeto original de Mário de Andrade de valorização não só do patrimônio edificado mas também das culturas populares através do chamado patrimônio imaterial”.
O projeto original de Mário de Andrade abrangia um conceito amplo de cultura ao definir “Arte é uma palavra geral, que neste seu sentido geral significa a habilidade com que o engenho humano se utiliza da ciência, das coisas e dos fatos”.Neste sentido Mário pretendia registrar tudo, como por exemplo, as paisagens trabalhadas pelo homem, a arquitetura popular, cruzeiros, capelas e cruzes mortuárias de beira de estrada, música popular, contos, histórias, lendas, superstições, medicina, receitas culinárias, provérbios, danças dramáticas, gravuras, mapas, livros impressos, etc.
Levando em conta esses exemplos acima, podemos pensar em uma História das paisagens, onde a natureza é passível de sofrer modificações pela prolongada atividade humana e produção   de      instrumentos tecnicos que garantem a existência humana, como é o caso do sítio São João, patrimônio que jaz na estrada do Rio Acima e que foi objeto de estudos realizados a pedido da empresa “Norfolk Distribuidora Ltda.”, em 2008, para avaliação de importância cultural.Esquecido desde então, o sítio São João ficava antigamente em área de produção de farinha de milho com monjolos de pé e farinha de mandioca produzida nas “casas de farinha” com moedor, prensa e possuia todo esse aparato técnico de tempos pré industriais, indicativo do saber fazer do povo.
Exposta ao tempo e intempéries, a prensa e o moedor foram resgatados por iniciativa particular em 2011 e assim vamos tocando o nosso patrimônio cultural, com atitudes pontuais e bem intencionadas de particulares, enquanto esperamos a ação oficial cobrada varias vezes pela imprensa e que não se resume em tombamentos temporarios, pois, afinal quase não há o que tombar no sítio São João.

 



















É desta riqueza de paisagens e costumes que nos conta Dona Luiza, nascida em Mogi das Cruzes, Bairro do Itapeti.
Nos seus quase cem anos de vida, noventa e sete para ser exato, Dona Luiza se lembra da construção da estrada Rio – São Paulo, trecho Mogi Guararema em 1927 - 1928 , quando com enxadão os homens tiravam terra e enchiam as carroças tocadas por burro.
Nesta época de infância as brincadeiras no Itapeti eram pegar limão e usar como bola, a peteca de palha de milho, as bonecas de pano feitas para si e depois para os filhos, pois, carrinhos e bonecas não havia e faz uma crítica velada ao consumo quando diz que hoje as crianças “tem brinquedos para jogar fora, mas no tempo que me criei não foi facil”.Com sete anos ficou sem mãe, ressalta e sempre frisa que foi muito feliz, mas sem esquecer a dureza daqueles tempos, pé no chão, vestido de chita. Vida dura, porem tranquila, o que a assusta nos dias de hoje é a insegurança, pois, nem de dia você pode deixar a casa aberta.
Dona Luiza se lembra muito das modas de viola e dos desafios de verso com o acompanhamento de viola, nas festas e nos casamentos e a diversão ficava por conta deste instrumento junto da sanfona.Existiam bons violeiros, entre eles o João Pituba (pituba significa folgazão) que era bom em inventar modas, tocavam também a cana verde.
Região profundamente devota, o que se constata pelo numero de festas e capelas, diz que “toda a vida que eu me conheço por gente tinha” o Divino, com pessoas durante o ano com bandeiras rodando pelas redondezas, pedindo “esmola” para a festa que se realizava na cidade.
No Itapeti as reuniões religiosas eram momentos em que as pessoas podiam se encontrar, pois viviam em um bairro rural com característica de ser disperso com vizinhos distantes, todos muito católicos e em toda encruzilhada tinha um Santa Cruz, havia o terço e ladainha. Na quaresma a Via Crúcis, trajeto seguido por Jesus carregando a cruz, era representado por quatorze estações (etapas) em caminhada passando nas Santas Cruzes espalhadas pela beira de estrada. Alguns padres dizem não saber porque tanta Santa Cruz, mas Dona Luiza explica ser por uma extrema devoção, tinha muitas, hoje só a Cruz do Pito.
As pessoas não vinham para a missa (na cidade) por ser difícil e longa a caminhada, então faziam a reza, o terço, lá no Itapeti, com café com farinha, café na tigela.O rezador era o Belo Sudário, depois Nhô Chico Pinto.
No Natal, momento maior do catolicismo, desciam a serra e vinham para a cidade assistir a missa do galo, rezada a meia noite, na passagem do dia vinte e quatro para vinte e cinco. Nos outros momentos do Natal só a família.
Aqui na cidade na capela da Santa Cruz, no alto da rua Ricardo Vilela, é para onde vinham os corpos trazidos pelos caminhos da serra em padiola ou na rede e ali assentavam porque não prestava descer corpo em qualquer lugar da estrada. Da capela colocavam o corpo em caixão cedido pela prefeitura e era carregado para o cemitério São Salvador em procissão. Você pode ver que aquela rua vai direitinho na porta do cemitério diz Dona Luiza. Sobre este santuário dizia o jornal da cidade,em 1932, que depois de terminada a Semana Santa, eram iniciadas as obras de reconstrução da capela da Santa Cruz, que segundo “O Liberal“ era “...a mais antiga demonstração de fé erigida pela população de Mogy das Cruzes em tempos immemoriais. Depois de alguns anos em ruina, um grupo de pessoas devotas da Santa Cruz e zelosas das tradições históricas desta cidade tomou a peito a reconstrução da legendaria capella...”.Para o andamento das obras se receberia donativos em materiais e realizavam-se quermesses.
Em frente a Santa Cruz havia uma viela onde os cavalos ou tropas ficavam e ali trabalhava um ferrador.
Desciam para a cidade e no Largo Bom Jesus uma das primeiras paradas era no armazém do senhor Antenor de Souza Mello que era “um bom comprador” dos produtos que traziam, cultivados no Itapeti:feijão, alho, milho, batata, prosseguindo a venda em outros estabelecimentos da cidade.
Ainda no Largo Bom Jesus lembra das cavalhadas, repetindo o quanto era bonito e relembra outros lugares onde se davam as cavalhadas como o campo da Iaiá, onde uma arvore muito grande servia para amarrar animais,também no local em que começa a estrada do Beija-flor na altura de César de Souza, do lado da serra e perto da capela de São Jorge havia um campo de grandes dimensões que podia alojar muitos animais para as corridas, ficando este local junto a Estrada Real que chegava em Mogi e que ainda existe exatamente este trecho, saindo da estrada do Beija flor vai dar no fundo da Casa dos Assados no Botujuru.
Havia diferença entre as cavalhadas corridas no Largo Bom Jesus e estas outras em função do espaço de corrida dos animais. Tinha bastante gente na cavalhada, era em reza do ano, mês de maio tinha reza todo sábado em um lugar ou outro e juntava os compadres, as comadres, todos de cavalo. Hoje em dia ninguém conhece cavalhada, diz Dona Luiza.
Além das diferenças de espaço, parece haver diferença de função, pois, na cidade, no Largo Bom Jesus, nas festas de santo é exibição, noticia de jornal, que faz parte da organização a cargo dos festeiros e no campo faz parte de um ritual de divertimento, de integração dos vizinhos, da família, amigos, compadres e comadres.
Quando voltava da cidade, subia a serra com o filho nas costas pela trilha do Rodeio e depois a trilha do Lambari.
Trabalhou com o marido na roça, praticando uma agricultura familiar, criando animais, plantando, ressaltando diversas vezes a dureza da vida, mas em seguida afirmando serem tempos bons. Possuíam algo fundamental: a terra e uma identidade secular com o bairro traduzido nas crenças e folguedos. A serra, o sertão, era o local do trabalho, da moradia, do dia a dia, da diversão e a cidade a realização do trabalho com a venda dos produtos.
Até recentemente a humanidade vivia um ritmo mais lento, hoje, vivemos um mundo da rapidez, onde os valores do mercado vão dominando todas as etapas da vida, do dia a dia e deixam de lado a humanidade social. Chaplin dizia no discurso final de o Grande Ditador em 1940:”Nós desenvolvemos a velocidade mas nos fechamos em nós mesmos. As máquinas que nos trouxeram abundancia nos deixaram desamparados, nossa inteligencia duros e impiedosos. Nós pensamos demais e sentimos muito pouco. Mais do que máquinas nós precisamos de humanidade”
Lembrando a caminhada com os filhos diz, em tom de censura e graça: agora só de carro tá aqui já tá lá e convida a neta para subir a serra a pé.

As cavalhadas

                               campos onde eram realizadas cavalhadas em Cesar de Souza
 
As cavalhadas foram introduzidas no Brasil pelos portugueses ainda no período colonial e representavam a luta entre mouros e cristãos na península ibérica.
A representação dramática era iniciada com um torneio que reunia uma dezena ou mais de cavaleiros, divididos em dois grupos: cristãos e mouros, representados pelas cores azul e vermelho.
Os grupos faziam evoluções mostrando a destreza em comandar os animais. As cores e aparatos da cavalhada foram confirmadas pelo senhor Luis de Santa Isabel.
Depois destes torneios pode ser seguido o “jogo de argolinhas” onde os cavaleiros mostram habilidades tirando um anel ou argola suspensos por um fio.
O jogo de argolinhas pode ocorrer de maneira independente do torneio entre cristãos e mouros. Dona Luiza confirmou esta ultima modalidade.




                                                                              
Para saber mais
ANDRADE, Mario. Anteprojeto elaborado por Mário de Andrade, a pedido do Ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema
Os filmes de Mario de Andrade feitos pelo Departamento de Cultura do Município de Sao Paulo podem ser assistidos no Centro Cultural São Paulo
 CANTARINO, Carolina. Ações oficiais precisam ter continuidade. Cienc. Cult., São Paulo, v. 58, n. 2, June 2006
CARLOS, Ana Fani Alessandri. A (re)produção do Espaço Urbano.SP:Edusp, 1994